Educação e esportes para crianças que vivem em situação de vulnerabilidade social

Blog convidado do Gringo-Rio: um tour na favela da Mangueira

A cerca de trinta minutos da praia turística de Copacabana, as portas do metrô se abrem. Subimos as escadas da estação do Maracanã. Olhando para a esquerda, vemos o famoso estádio de futebol que deu nome à estação de metrô. Mas hoje, viramos à direita. Nosso objetivo hoje não é um jogo de futebol, mas uma visita a uma favela do Rio. Ela se chama Mangueira. Hoje nós vamos ver um Rio de Janeiro diferente.

  

A Mangueira é uma favela importante, conhecida e querida por todos do Rio de Janeiro. A comunidade tem cerca de 20 mil habitantes, mas parece muito mais, vendo a quantidade de casas construídas em diferentes morros. É o local de nascimento do samba e de uma escola de samba mais popular do Brasil. Durante o carnaval no Rio, as ruas são verde e rosa, as cores da Mangueira, uma das escolas de samba mais tradicionais e uma vencedora múltipla do desfile anual de carnaval.

 

Hoje nosso guia é Edwin Roodenburg, um holandês de Amsterdã, que começou em 2012 com uma Ong chamada Estrela da Favela na comunidade. Junto com algumas professoras, ele agora educa e cuida de mais de cem crianças que moram na Mangueira. Passamos por uma pequena quadra de futebol, construída na época da Copa do Mundo, em 2014, com dinheiro doado por conexões holandesas de Edwin. Por entre as árvores quase sem folhas, é possível ver o telhado do estádio do Maracanã, do outro lado da ferrovia. “Eles jogam futebol aqui todos os dias e sonham, um dia, jogar naquele estádio e serem famosos”, diz Edwin, com um pequeno sorriso. Claro, essas chances são bem pequenas, para não dizer mínimas.

 

Ao virar a esquina, chegamos à ONG da Estrela da Favela. Um edifício de dois andares, com duas salas relativamente pequenas usadas para ensinar às crianças de todas as idades. O piso base é usado para uma cozinha, onde a Ong oferece um almoço. “O que fazemos é muito mais do que apenas ensinar as crianças a contar e ler", explica Edwin. “Em vez de ficarem nas ruas, nós os educamos em todos os sentidos possíveis. Muitas crianças não têm, ou quase não têm uma estrutura familiar adequada. Por exemplo, o pai morreu e a mãe é viciada em drogas. Então, tentamos ser um lar para eles." 

 

E parece que é assim mesmo que as crianças se sentem sobre o lugar. Piadas e risadas estão presentes o tempo todo. Quase como se fosse uma escola normal. Eles fazem música, praticam esportes e apenas se divertem entre eles. Quando saímos da escola para passear pela favela, em cada esquina alguém o cumprimenta Tio Ed, tio Ed!  “É muito gratificante ver as crianças crescerem e aprenderem todos os dias," ele diz e sorri.

 

As ruas da Mangueira – Visite uma favela no Rio

 

Entramos nas ruas estreitas, um labirinto de curvas, altos e baixos, mas principalmente subindo. É possível tirar fotos, mas não dos rostos das pessoas. “Os traficantes não querem sair nas fotos", diz Edwin. Existem algumas estradas que evitamos, porque é aí que ocorre o tráfico ativo. E depois de uma pequena subida, chegamos ao ponto mais alto, de onde se vê a paisagem. E é de tirar o fôlego! Você pode ver todos os destaques do Rio, desde a Baía de Guanabara até o Centro da cidade, desde o topo do Pão de Açúcar até a Estátua do Cristo e, claro, o estádio do Maracanã.

 

Perguntamos a Edwin se ele nunca se preocupa sobre sua segurança ou a de seus professores. Ele ri: “Conhecemos os moradores e eles nos conhecem. Eles não são um problema em termos de segurança. O verdadeiro problema é quando a polícia inicia uma operação na comunidade, mas isso já não acontece há muito tempo." Na Mangueira, o status quo é claro, a polícia fica na entrada da favela, ao lado da quadra de futebol. Dentro da favela, o tráfico de drogas domina. E quando ninguém quebra essas regras, tudo funciona relativamente bem.

 

Ao sair da Mangueira, de repente percebemos o quão simbólico é a ferrovia, que separa a comunidade do grande e famoso Maracanã, onde lendas como Pelé, Zico e Romário se tornaram heróis da nação. É isso que essa comunidade e as outras mais de mil comunidades do Rio infelizmente são: aquele lugar do outro lado. Quando você se interessar em visitar uma favela no Rio e quiser conhecer o outro lado da cidade, isso é possível.

 

Oferecemos um tour em cooperação com Edwin e a Estrela da Favela. Confira os detalhes do tour aqui. Mais de 50% do dinheiro que você paga pelo passeio é investido diretamente no projeto. 

Por Jan Willem Zeldenrust